sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Branca de Neve e o Caçador – Crítica.

Era uma vez...uma tentativa de transformar o clássico conto da Branca de Neve em um filme épico. Mas o que teve de épico no filme foi somente a Rainha má. E os admiradores de uma boa atuação viveram felizes para sempre. Fim.

Por Wilma Emilia
 
Este definitivamente foi o ano da Branca de Neve, com três produções diferentes focando o universo da personagem: Espelho, espelho meu, a série Once Upon Time, e agora Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman). A história é conhecida e basicamente a mesma nas três produções: A Rainha má não suporta a idéia de que haja em seu reino alguém mais bela do que ela, e fará de tudo para tirar a Branca de Neve do seu caminho. A Rainha lança um feitiço que condena a mocinha ao sono eterno. Mas eis que surge o príncipe encantado e com um beijo desfaz o feitiço da Rainha. Os pombinhos vivem felizes para sempre.

Branca de Neve e o Caçador, porém, nem de longe lembra a versão consagrada pela Disney, é uma adaptação mais fiel ao conto dos irmãos Grimm, menos infantilizada e mais sombria, com uma Branca de Neve que veste armadura e uma Rainha que rouba a essência vital de garotas belas para permanecer jovem.

A Rainha Ravenna é detentora do Espelho mágico, e durante muitos anos o consultou para saber quem era a mais bela do reino. O espelho sempre respondeu que Ravenna era a mais bela. Em um dessas consultas a resposta costumeira do espelho é diferente, e este diz à Rainha que sua eterna beleza e jovialidade é ameaçada por alguém mais bela do que ela: Branca de neve, a filha do Rei enfeitiçado e posteriormente assassinado por Ravenna. Após a morte do pai, a criança é aprisionada em seu próprio castelo e lá permanece por anos até tornar-se adulta. Pouco antes de ser pega por Ravenna, a jovem consegue fugir da prisão e passa a ser perseguida impiedosamente pela vilã.

 
A produção é competente nos cenários, figurinos e fotografia, um verdadeiro deleite para os olhos. A trilha sonora é poderosa e é possível ter a falsa sensação de que o filme realmente seja épico.
Os problemas começam quando o roteiro tenta dar uma real importância para a Branca de Neve. Ela é uma predestinada, conquistadora de trolls e reverenciada pelos animaizinhos, fadas e anões, mas não fica explícito qual o propósito da protagonista precisar ser esse ser tão iluminado. A importância da Branca de Neve acaba se perdendo num mar de objetivos: libertar um povo oprimido, vingar a morte do pai ou reencontrar o príncipe encantado, ser a salvação para um caçador perdido, ou ainda derrotar a Rainha que é a grande responsável pelo sofrimento infligido a todos. Haja heroísmo para tantos problemas! A epifania de Branca de Neve perde totalmente a força diante do excesso de subtramas.


O título Branca de Neve e o Caçador poderia fazer algum sentido se houvesse uma química verdadeira entre os dois, mas nem isso acontece e o Príncipe é introduzido no meio da história para sepultar qualquer chance de romance entre os dois personagens que dão nome ao filme. O Príncipe parecia ser relevante para a história mas o roteiro não o ajuda a sequer se aproximar da Branca de Neve. Nem rivalidade entre os dois pretendentes da Branca de Neve existiu para ao menos tornar as coisas mais interessantes. Os anões foram bons alívios cômicos, no entanto o filme se focou no drama dando pouquíssimo espaço para o humor.

 

O melhor do filme sem sombra de dúvida (e já esperado) foi a Rainha Ravenna, interpretada por Charlize Theron que mais uma vez honra a estatueta de ouro que ganhou há alguns anos. Charlize deixa escapar alguns exageros, mas não chega a comprometer a dedicada atuação. Ravenna assusta e choca, mas em alguns momentos é possível se importar com o destino da personagem. Charlize consegue a façanha de deixar a sua personagem mais humana do que a própria Branca de Neve. Kristen Stwart até que se esforçou em deixar os trejeitos (maaaas a mordidinha nos lábios ainda está lá) de sua personagem Branca de Bella (ops!) digo, Bella de Crepúsculo de lado. Como a Branca de Neve é delicada e meiga, Kristen não teve muitos problemas pois é o tipo de papel que ela costuma fazer. Porém, quando a Branca de neve veste uma armadura, a ferocidade e a determinação de uma guerreira são exigidas, e nisso Kristen não conseguiu ser convincente.


Branca de Neve e o Caçador ( Snow White and the Huntsman )
EUA , 2012 - 127 min.
Fantasia

Direção:
Rupert Sanders

Elenco:
Kristen Stewart, Charlize Theron, Chris Hemsworth

Nota: Três frames (3,0)




domingo, 2 de setembro de 2012

Prometheus – Crítica


Por Wilma Emilia



Embora Prometheus tenha muitas semelhanças e elementos do universo Alien, não se trata de um prelúdio do filme de 1979 dirigido por Ridley Scott. Pelo menos não por enquanto. No filme, um grupo de pesquisadores e cientistas partem numa expedição em um planeta distante numa nave chamada Prometheus, que não por acaso recebe este nome. No contexto greco-mitológico Prometheu foi um titã que teve a audácia de roubar o fogo dos deuses e dar aos humanos. Como castigo, Zeus aprisionou Prometheu em um cume, onde todos os dias o Titã teria o seu fígado dilacerado por uma águia.  O ferimento também se regenerava todos os dias por um período de 30.000 anos. O filme gira em torno dessa analogia (que não poderia deixar de ser citada no filme), com a tripulação da Prometheus "desafiando" o seu "Criador" que seriam os alienígenas, e sofrendo as consequências por sua ousadia.
 

A expedição financiada pela Wayland Corp ( a mesma de Alien ) é liderada por dois arqueólogos que encontraram ligações em pinturas nas cavernas feitas no passado em várias épocas diferentes. Ao decifrar a mensagem das pinturas, o casal de arqueólogos chega a conclusão de que a possível  origem da vida na terra se deve a nada mais nada menos que a seres  extra-terrestres, chamados por eles de Engenheiros, e que estes estariam os convidando através destas pinturas nas cavernas à visitar o seu "lar". Simplesmente (em teoria) a maior descoberta da humanidade. Partindo desse princípio todas as teorias e crenças da origem da vida cairiam por terra, inclusive a de que o homem evoluiu de primatas e de que Deus criou a humanidade. Há uma tentativa de criar um conflito científico-religioso através da personagem Elizabeth Shaw, muito mal desenvolvido por sinal.
Por falar em desenvolvimento, personagens que poderiam ter um melhor proveito acabam não tendo, situações que poderiam ser melhor exploradas ( como a tensão entre a Doutora Elizabeth e a executiva Meredith) não são, e situações que poderiam ser dispensadas também não são ( alguém em um planeta desconhecido, em local suspeito e obscuro, não levar a sério um bicho alienígena com aspecto ameaçador à sua frente, seria um alivio cômico? ). A carga de sofrimento imposta à Doutora Elizabeth Shaw  poderia ajudar no crescimento da personagem, mas no fim acaba a atrapalhando.

No elenco, Prometheus tem dois nomes de destaque absoluto: Michael Fassbender e Noomi Rapace. Noomi Rapace nos apresenta uma heroína que é o equivalente à Ellen Riplay dos filmes Alien: Uma sobrevivente, emotiva, forte. Michael Fassbender nos entrega o melhor androide do universo Alien.
Apesar dos pormenores descritos, e já lançando o infame, porém já consagrado trocadilho, Prometheus não necessariamente cumpriu o que "Prometheu"( uma história que explicaria a origem da humanidade), mas por outro lado também não "comprometheu" porque o esperado estava lá, a tensão, o mistério, a aflição, o clima sombrio, os excelentes efeitos visuais e sonoros, os bichos asquerosos e mortais, ficção cientifica de primeira, tudo está lá. Contudo, este não é o filme que revolucionará a ficção cientifica, mas é um filme obrigatório para qualquer fã do gênero.
Prometheus
EUA , 2012 - 124 min      
Ficção científica
Direção: Ridley Scott
Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Pearce.

Nota: Três frames e meio (3,5)